Project 365 – 031/365

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Hoje vou explicar a vocês de forma um tanto simplificada e metaforizada a diferença entre os pensamentos e sentimentos masculinos e femininos. Usarei como exemplo o que aconteceu hoje aqui em casa. A propósito, a foto é de um pedaço do bolo de aniversário do meu pai, que foi ontem, e antes que digam que não tem nada a ver com o que eu vou falar, podem ter certeza que tem a ver sim. Vamos lá..

Meu pai é uma dessas pessoas difíceis de se dar presente. Não sei se isso acontece com todos os homens ou é só o meu pai que torna a tarefa de se dar presente algo tão difícil. Ainda estou formulando esta teoria). Ao que tudo indica, esta é uma característica masculina, principalmente pelo que vou falar mais adiante, que é a forma de pensar do homem.

Sendo assim, eu e minha mãe estávamos com um sério problema até duas semanas atrás. Meu pai faz aniversário dia 30/01 (no caso, ontem foi aniversário dele), e a grande proximidade entre esta data e o Natal (do ano passado, no caso) potencializa a dificuldade em dar presente a ele, já que esgotamos por completo nossa criatividade para presentes em dezembro, mal se passa um mês e precisamos novamente dar presentes a ele.

Logo que eu decidi o que eu daria de presente, anunciei firmemente a minha decisão, para que não houvessem dúvidas por parte da minha mãe com relação a isso (basicamente eu quis dizer: “Olha mãe, vou dar isso e ponto. Nem pense em dar isso também, escolha outra coisa.” Foi um jeito meio simpático de dizer: “Resolvi meu problema, agora é com você!”) Minha mãe, por outro lado, estava quase em desespero por não saber o que dar de presente pro meu pai. Um dia qualquer chegou lá na loja da minha mãe uma dessas revistinhas de produtos da Polishop (ou sei lá qual loja que era, mas vendia de tudo). Ela olhou os produtos e teve um insight, uma visão, um sinal. Uma intervenção suprema a fez decidir ali que daria um George Foreman Grill para o meu pai. Ela correu ligar o computador super lento que tem na loja dela, e comprou, ali mesmo, via internet e cartão de crédito o barato de fazer churrasco pra ele. No anúncio da internet dizia que chegaria no máximo até dia 31/01 (hoje). Ela levou isso a sério, e logo providenciou um presente meio lembrancinha para dar a ele no dia do aniversário de fato, que foi ontem, caso o aparelho lá do George Foreman realmente não chegasse a tempo.

Dar presente é uma coisa tão estranha. Quem presenteia fica tão mais feliz e mais ansioso para dar o presente do que o presenteado muitas vezes demonstra ao ver o presente. Seguindo mais ou menos essa filosofia foi que quase aconteceu uma briga hoje em casa. Na tarde de hoje o Grill chegou, lá na loja da minha mãe. Ficamos felizes, porque realmente cumpriu o prometido no site (chegaria no máximo até hoje). Minha mãe ficou extasiada com a chegada do aparelho, porém ele não veio embrulhado para presente, o que fez com que precisássemos providenciar um embrulho decente em menos de 45 minutos (antes que meu pai chegasse e visse o presente desembrulhado). Corri em uma das lojas lá do centro da cidade e comprei algumas folhas de presente. Ali na loja mesmo, emendamos as folhas com o maior cuidado e carinho para embrulhar o Grill (notem, esta é uma das características do pensamento feminino, que é repleto de atenção voltada a cuidados, carinho, delicadeza, preocupação com beleza, capricho). Embrulhamos o barato, colamos uma etiqueta onde havia escrito “Com carinho”, vejam o quão fofo estava o presente, e esperamos ansiosas meu pai chegar. Ele chegou e eu, no auge da ansiedade, achei que ele abriria o presente ali na loja mesmo. Para a minha frustração, ele pegou a caixa e levou até o carro, sem abri-la (aqui está uma das características de pensamento masculino – o excesso de racionalidade na execução das tarefas do dia-a-dia, jamais ele se deixaria abalar pelo emocional em uma situação como esta).  Fomos para casa, eu sentada no banco de trás do carro ao lado do presente embrulhado, quase tendo uma síncope para ver meu pai abrindo-o e ficando tri satisfeito e feliz com o ganho.

Chegamos em casa, carreguei a caixa do Grill para dentro de casa, coloquei em cima da mesa da cozinha, para que todos presenciassem o grande feito que seria meu pai abrindo seu presente de aniversário. Meu pai entrou em casa, foi se trocar, e saiu para fora, no quintal, par soltar as cachorras. Minha mãe olhou para mim com uma cara de: “Mas que horas ele vai abrir este presente? Será possível que as cachorras não podem esperar cinco minutos sequer até ele abrir o presente?” Envoltas por estes pensamentos, logo que meu pai voltou para a cozinha, nós duas falamos em coro: “E o presente? Vai abrir?” Ele pegou o presente e o levou até a sala de tv (??) e o abriu lá, nos privando de ver o seu semblante diante do aparelho. Depois de abrir, ele pegou tudo e levou para a cozinha, onde compartilhou conosco a experiência de ‘unboxing’ do Grill em cima da mesa. Nisso, eu e minha mãe vemos o papel de embrulho que estava envolvendo a caixa. Mais parecia uma bola de handebol, verde e azul, toda amarrotada. Minha mãe olha para o papel amassado e me diz: “Ahh lá o papel que embrulhamos cuidadosamente, ele deve ter odiado o presente, por isso amassou todo o papel.” Por outro lado, eu, dotada de esclarecimentos acerca do comportamento masculino em situações como estas, somente sorri para ela, afinal, eu sei que não há correlação alguma entre o homem gostar ou não do presente e ele amassar ou não o papel de embrulho do presente.

Nisso, meu pai estava destrinchando o Grill, para ver todas as suas funcionalidades, e minha mãe estava convicta de que ele não havia gostado nem um pouco do presente. Meu pai pegou todas as partes do Grill e guardou tudo cuidadosamente na caixa, fechou e guardou na sala (??). Minha mãe fechou a cara, emburrou e respondia secamente às perguntas e comentários de meu pai, até que em um dos comentários ela foi realmente grossa, e o assunto cessou. Meu pai não sabe o porquê ela emburrou, mas eu sei, porque ela deixou claro para mim que tinha total certeza de que ele não gostou do presente.

O homem, desde os primórdios da humanidade, é o responsável, dentro do lar, por resolver problemas. A mulher, por outro lado, tem a incumbência de criar e educar os filhos, e cuidar dos afazeres domésticos. O pensamento masculino é objetivo e prático. O pensamento feminino é subjetivo e complicador. Enquanto meu pai simplesmente abria rapidamente o embrulho, para ver o presente, minha mãe esperava que ele admirasse o embrulho, a etiqueta de “Com carinho” e além do mais, deixasse verbalmente expresso isso. Não foi o que aconteceu, e creio que isso não acontece com a maioria dos homens. Abrir um presente, para um homem, é uma tarefa simplesmente objetiva: tira-se o papel de embrulho, e dar-se-á atenção ao presente que há dentro. Não consigo imaginar homens, e sobretudo o meu pai, redobrando cuidadosamente o papel de presente, admirando-o e etc.

Outra característica masculina, que se baseia na objetividade, é o fato de que, pelo menos aqui em casa, meu pai só gosta de presentes que ele realmente precise ganhar/precise usar. Usando uma comparação bem simples, “deixe-o feliz dando-lhe meias e cuecas”. Ou seja, coisas supérfluas não atraem muito a atenção de meu pai. Se ele não precisa de determinado objeto, este não tem utilidade prática para ele, isso é claro na mente de meu pai, então ele não dá atenção. Só que eu sei muito bem que um Grill, da forma como é este que a minha mãe presenteou-o, é de extrema importância e usabilidade pra meu pai, o que torna a preocupação de minha mãe totalmente sem nexo. Só porque meu pai amassou o embrulho e não pulou nem soltou fogos por causa do presente, não significa que ele não tenha gostado. O Grill é funcional para ele, e isto é mais do que prova de que ele gostou do bicho. Como eu disse, homens não têm muita facilidade para expressarem o lado emocional, seu pensamento é prático e voltado à resolução de problemas.

A propósito, minha mãe comprou um chinelo para dar a ele ontem. E ele esboçou a mesma reação de hoje. Ele precisava, de fato, de um chinelo novo. Minha mãe, neste exato momento, está convicta de que ele gostou mais do chinelo do que do Grill. Eu arrisco dizer que ele gostou da mesma forma de ambos os presentes. Os dois são funcionais e importantes para ele, características mais do que suficientes para homens gostarem de presentes.

Ficou longuíssimo este post, mas isso se deve ao fato de há dois dias eu não estar muito bem, estou ainda em crise (existencial), mas ela está quase me dando paz novamente. Hoje senti que estava disposta a escrever mais, então resolvi contar sobre o presente.

Acho que é só.

(:

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